As origens da corrente do socialismo internacional
Tony Cliff
“As poucas pessoas que deram início à Tendência Socialista Internacional não queriamos usar o Marxismo como substituto da realidade, mas, pelo contrário, desejavam que fosse uma arma que ajudasse a lidar com a realidade.
Nos anos de 1946 a 1948, tivemos que lutar com questões muito difíceis. Tínhamos que deixar claro que estávamos dando continuidade a uma tradição – que éramos seguidores de Marx, Lênin e Trotsky – mas que tínhamos que enfrentar novas situações. Foi uma continuação e um novo começo. Dureza intelectual não significa dogmatismo; compreender uma realidade em mudança não significa imprecisão. Nossa crítica ao trotskismo ortodoxo foi concebida como um retorno ao Marxismo clássico.
A discussão que se segue abaixo explica comoevoluíram três teorias em reação aos eventos logo após o fim da Segunda Guerra Mundial: as teorias do capitalismo de estado, a economia de armas permanente e a revolução permanente desviada.
Aqui, cada pergunta será inicialmente tratada a parte. Só mais tarde será possível encontrar suas interconexões e, assim, explicar o padrão total de desenvolvimento. Só estando no topo de uma montanha e olhando para baixo, é possível perceber como os diferentes caminhos convergem.”
- Nota do tradutor
- 1: Reconhecendo o problema
- Prognósticos de Trotsky
- O lugar de Trotsky no marxismo
- Como os trotskistas lidaram com a situação após a Segunda Guerra Mundial?
- Preservando o trotskismo enquanto se desvia da letra das palavras de Trotsky
- 2: Capitalismo de Estado
- A definição da Rússia como um Estado operário e a teoria marxista de Estado
- A forma de propriedade considerada independentemente das relações de produção: uma abstração metafísica
- A burocracia russa: sentinela que aparece no processo de distribuição?
- A Rússia Stalinista torna-se capitalista de estado
- O que impediu Trotsky de renunciar à teoria de que a Rússia era um Estado operário?
- Rumo ao desfecho do regime Stalinista
- Estudo post-mortem do regime Stalinista
- 3: A economia armamentista permanente
- 1914: o ponto de virada
- Armas, prosperidade e recessão
- Efeito do orçamento armamentista
- 4: Revolução Permanente Desviada
- A ascensão de Mao ao poder
- A Revolução de castro
- O que havia de errado com a teoria da revolução permanente de Trotsky?
- Revolução Permanente Desviada
- 5: A herança
- 6: Conclusão
- Referências
Título da versão original de 1999, em inglês: Trotskyism after Trotsky.
Este panfleto foi publicado pela primeira vez em espanhol pelo então grupo En lucha, em maio de 2003.
Tradutor do inglês: Carlos Carmim
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Nota do tradutor
A tradução de Trotskismo após Trotsky para o português se faz relevante pois aumenta o acesso de trabalhadores e estudantes lusófonos indignados e revoltados com o estado de destruição social e planetária que o capitalismo atualmente causa a uma importante obra marxista.
Aqui são apresentadas três importantes teorias marxistas que explicam os principais desenvolvimentos mundiais na segunda metade do século XX: 1) a teoria de capitalismo de Estado que demonstra que a União Soviética e os países do Leste Europeu que ela conquistou não tinham nada de socialistas (exceto os nomes); 2) a da economia armamentista que explica como os países capitalistas avançados, após a segunda guerra mundial, mantiveram expansão econômica e 3) a teoria de revolução permanente desviada que esclarece que revoluções no terceiro mundo, como na China e em Cuba, não foram processos liderados pela classe trabalhadora como antevisto por Trotsky, mas sim pela classe média (camponeses e intelectuais, respectivamente) e que portanto, nunca foram países socialistas.
Foi escrita por Tony Cliff, um trotskista judeu palestino que emigrou para o Reino Unido após o fim da segunda guerra mundial. Cliff desenvolveu este trabalho sobre as bases do Marxismo estabelecidas por Marx, Engels, Lenin, Rosa Luxemburgo e Trotsky.
Tony Cliff, se não o trotskista pioneiro em todos os elementos dessas importantes teorias, as desenvolveu e mostrou a relação entre elas e, assim com os demais marxistas que o antecederam, atuou ativamente na construção de partidos revolucionários da classe trabalhadora. Cliff fez parte da tradição política da Tendência Socialismo Internacional (IST), trotskistas não ortodoxos e que continuam a tradição genuinamente marxista de autoemancipação da classe trabalhadora e sua chegada ao poder através do processo libertador revolucionário.
Espero que a leitura deste material estimule os leitores a conhecer outras obras da IST e principalmente a se engajar na construção do partido socialista revolucionário. Essa corrente política fornece importantes ferramentas teóricas para equipar aqueles que querem lutar por um mundo livre da exploração e opressão. Através da união e luta da classe trabalhadora e da juventude temos um mundo a ganhar.
Carlos Carmim



